Por Redação Perfecta/ Julho 2025
Julho, mês do “Julho Amarelo”, destaca a importância de conscientizar sobre as hepatites virais — infecções que continuam a representar um grave problema de saúde pública global.
De acordo com a OMS (2024), as hepatites B (HBV) e C (HCV) causaram cerca de 1,3 milhão de mortes em 2022, cifra que supera a da tuberculose e se aproxima das mortes por outras doenças infecciosas graves. Estima-se que 254 milhões de pessoas vivam com HBV crônico e 50 milhões com HCV. Anualmente ocorrem aproximadamente 1,2 milhões de novas infecções por HBV e 1 milhão por HCV.
Diagnóstico e Tratamento no mundo
Apenas 13% dos infectados por HBV foram diagnosticados até 2022, com cerca de 3% recebendo tratamento. Já no caso de HCV, 36% foram diagnosticados e 20% receberam tratamento curativo.
Essa cobertura está muito aquém das metas da OMS para 2030 (80%), o que compromete a eliminação dessas doenças.
Situação no Brasil
No Brasil, a prevalência de anti-HCV em capitais (2005-2009) foi de aproximadamente 1,38% alcançando até 2,1% em regiões como o Norte. HCV corresponde a 38% dos casos de hepatites virais no país e é a principal causa de hepatocarcinoma e segunda de transplantes hepáticos.
Programas como a distribuição de testes rápidos desde 2011 e incorporação de antivirais eficazes (DAAs) mostram impacto — a mortalidade por HCV já apresentou redução recente.
HBV no Brasil: perfil epidemiológico
O Brasil é considerado de baixa endemicidade para HBV, embora existam disparidades regionais. Um estudo com homens que fazem sexo com homens (MSM) mostrou variações de exposição de 1,4% até 19,7%, refletindo boas coberturas vacinais, mas persistência de risco.
Em comunidades rurais de baixa renda, foi detectada prevalência de HBV em torno de 9,8%, com apenas 25% apresentando marcadores de proteção vacinal.
Avanços e lacunas
- O Brasil implementa a vacinação universal contra HBV desde 1996 e disponibiliza antivirais como tenofovir e DAAs gratuitamente no SUS, com descontos superiores a 90%.
- Contudo, desafios persistem: cobertura vacinal em áreas remotas e adesão a protocolos ainda são insuficientes.
Perspectivas e recomendações
Avançar no diagnóstico precoce - especialmente via testes rápidos e atenção primária - e ampliar o acesso a tratamentos curativos (no caso de HCV) e supressivos (HBV) são metas urgentes.
Segundo cenário modelado para o Brasil, ao se tratar pacientes com fibrose ≥ F2 e ampliar testes, é possível reduzir 90% da carga de HCV até 2030.
Globalmente, atingir 90% de cobertura vacinal e 80% de tratamento em HCV e HBV até 2030 pode prevenir 26 milhões de infecções e 9 milhões de mortes por HBV, além de 2,1 milhões de mortes por HCV
Conclusão
O panorama das hepatites virais destaca um cenário de alta morbimortalidade, com mais de 1 milhão de mortes anuais e milhões de pessoas cronicamente infectadas. No Brasil, apesar do fortalecimento de programas públicos, persistem disparidades regionais e desafios de acesso.
O mês do "Julho Amarelo" reforça a urgência de intensificar testagem, ampliar vacinação e garantir tratamento pleno - alinhados às metas internacionais - para que a eliminação dessas doenças deixe de ser apenas uma meta distante, tornando-se realidade.
Bibliografia:
https://www.who.int/publications/i/item/9789240091672
https://www.scielosp.org/article/rsp/2025.v59/e1/
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/2014/827849
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39417514/
https://www.cdc.gov/hepatitis/global/index.html

