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PCR – a técnica que redefiniu a ciência

Em meados dos anos 80 era impensável que uma tecnologia tão simples pudesse mudar tanto o rumo da pesquisa científica, diagnóstico humano ou animal e de inúmeras outras aplicações.

Um jovem pesquisador, Kary Mullis (1944-2019) que além de cientista era surfista à época da descoberta, descreveu o método inusitado em 1983. Ele encontrou uma forma de fazer cópias idênticas das moléculas de DNA, usando uma enzima e variações de temperatura.

O método conhecido como PCR – reação da polimerase em cadeia (do inglês – polymerase chain reaction),  consiste em aquecer a molécula de DNA para separar as duplas hélices do DNA (desnaturação), resfriar um pouco para que pedaços pequenos de DNA de 15-25 bases, os primers ou iniciadores possam se ligar por complementariedade à fita de DNA aberta (anelamento), e depois subir novamente a temperatura, para que a enzima, a Taq DNA polimerase, seja capaz de copiar o DNA baseado no molde da fita aberta (extensão). Esse processo repetido em ciclos é capaz de gerar mais de 1 bilhão de cópias do DNA original, e com alguns recursos simples, como um gel de agarose, pode tornar o DNA “visível” e útil para futuras aplicações.

Gel de agarose, a ilumina??o com luz UV permite visualizar o DNA.

Gel de agarose, a iluminação com luz UV permite visualizar o DNA.

Karl Mullis ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1993. Passados mais de 40 anos da descoberta, algumas variações e melhorias desse método fazem com a técnica de PCR e a biologia molecular tenham tido alcances impensáveis quando o método foi descrito.

Hoje é possível clonar um gene para produzir proteínas, produzir plantas e animais transgênicos através de inserção ou alteração de um gene no genoma original, desvendar crimes e outros usos da medicina forense, fazer vacinas a partir de uma sequência genética conhecida, diagnosticar inúmeras doenças e até sequenciar um genoma inteiro em tempo Record como feito recentemente com o SARS-COV-2 que teve o seu genoma sequenciado no Brasil em apenas 48 hs.

A aplicação dessas metodologias moleculares em larga escala tem sido possibilitada pela redução dos custos. Para se ter uma ideia, o primeiro genoma, concluído há 21 anos, custou cerca de US$100 milhões e demorou alguns anos para ser concluído. Esses custos baixaram tremendamente, e hoje é possível fazer um sequenciamento por cerca de R$ 1.000.

 

PS: para realizar técnicas de biologia molecular use sempre produtos certificados, livres de DNA/RNA, DNase/RNase para garantir melhores resultados.